Com faixas e cartazes os manifestantes cobraram um posicionamento do governo para combater o fogo que já devastou grande parte do Pantanal.

Em meio a densa fumaça que insiste em pintar de cinza o céu da capital mato-grossense, manifestantes ocuparam parte da Arena Pantanal, neste domingo (20), para reivindicar mais ações de combate aos incêndios que já devastaram mais de 1.740.000 hectares do Pantanal, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Com a presença de movimentos sindicais, pré-candidatos nas eleições municipais e população em geral, o Ato teve ainda a apresentação da cantora Estela Ceregatti. A ação durou aproximadamente duas horas e fez ecoar as vozes de quem chegava para reivindicar mais atenção ao bioma.

Partindo da inquietação da professora Rebeca Zanon, e com apoio do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), o Ato apostou na reverberação de informações e palavras de ordem como estratégia para alertar não só a população, como os gestores públicos sobre o atual cenário da maior planície inundável do mundo. 

“O ato é muito legítimo, pois buscamos a garantia de direitos e a criação de possibilidades para que isso não aconteça novamente. A partir de agora esses atos e manifestações precisam ser constantes, o ato de cobrança enquanto cidadão, enquanto pessoas que agem no mundo é fundamental para que as coisas se transformem de alguma forma”, disse a idealizadora do movimento.

Faixa de manifestantes pelo Pantanal mato-grossense na Arena Pantanal
Os cartazes e faixas foram elementos muito presentes durante todo o Ato. | Foto: Com_Texto

 Questionada sobre a amplitude da manifestação e os possíveis desdobramentos, Rebeca afirmou que é necessário fazer uma aproximação com a Assembleia Legislativa do Estado, para cobrar ações mais efetivas no combate e prevenção dos incêndios. “Nós somos a capital de Mato Grosso, temos os deputados estaduais aqui próximos para dialogar e cobrar, e esses atos são importantes para isso acontecer. Precisamos de leis específicas de proteção dos nossos três biomas e atualmente não temos, é muito importante que isso exista e seja cumprido”, complementou. 

Diante da necessidade de atuação política, foi criado na última semana três Comissões Parlamentares, uma no Senado Federal, na Câmara e uma na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT). Atualmente as três casas se articulam conjuntamente para articular ações mais efetivas, entre os nomes que compõe a Comissão estão o senador Wellington Fagundes (PL-MT), a deputada Federal Rosa Neide (PT-MT) e outros parlamentares. 

Ainda durante o Ato, um fato que chamou a atenção foi a presença de uma criança acompanhada da mãe, a professora Noeli de Matos, que seguiu toda a movimentação atenta. “Quanto mais a gente sensibilizar e lutar, podemos aumentar o número de pessoas que pensam nessa questão e lutam por ela. Trouxe a minha filha porque acredito que os nossos filhos precisam ver o que se passa ao redor deles. Penso que com ela aqui, neste ambiente, aumentam as chances dela se tornar  uma menina que vai lutar pelos seus direitos no futuro”, argumentou.

Manifestante na Arena Pantanal em Ato pelo Pantanal
Sempre acompanhada de um adulto, a menina ouviu atenta toda movimentação do Ato. | Foto: Com_Texto

A ARENA COMO PALCO

Cenário dos jogos da Copa do Mundo de 2014, a Arena Pantanal foi simbolicamente escolhida como o ponto de encontro dos manifestantes. Segundo a professora e sindicalistas Helena Maria Bortolo, a escolha do local buscou chamar atenção para um dos principais biomas do mundo. “Esse é um espaço simbólico que tem em seu nome esse bioma único no mundo. Queremos aqui chamar a atenção da população cuiabana, mato-grossense e de todo o país para se manifestar contra esse desastre provocado pelo homem”, afirmou. 

Na avaliação de Helena a negação da gravidade da situação não se esgota nas camadas Federais, mas também aparecem na administração Estadual. “Estamos aqui para cobrar as autoridades, como o presidente Bolsonaro e também o governador Mauro Mendes, que não tem se colocado em defesa do nosso bioma, diante desta gravíssima situação por conta das queimadas”, reivindicou.

Apesar do colorido dos cartazes, os tons de cinca cercavam todo o Ato, seja por conta da cor das estruturas da Arena ou pelo céu coberto por fumaça. | Foto: Com_Texto

Sendo uma das pessoas que compartilhou sua indignação logo no início do Ato, a professora levantou a necessidade da população se sensibilizar diante do que vem acontecendo. “A gente precisa refletir muito sobre o que está acontecendo, essa é uma daquelas situações que precisamos nos indignar, não podemos ficar dentro dos nossos próprios casulos, temos que gritar para o mundo inteiro que queremos vida, queremos os nossos rios cheios de peixes”, concluiu. 

No encerramento do Ato a organizadora Rebeca Zanon agradeceu a participação de todos e reiterou o pedido de atenção nas questões que envolvem o Pantanal. “Ninguém aguenta mais respirar essa fumaça, ninguém aguenta mais ver os animais morrendo, esse ato veio dessa sensação de impotência e necessidade de fazer algo. A gente não consegue estar lá na frente apagando o fogo, mas a gente consegue fazer alguma coisa aqui, enquanto cidadão”, finalizou. 


*Colaboração da repórter Beatriz Passos