O ato teve início na Praça Alencastro e atravessou três avenidas da capital mato-grossense em uma caminha repleta de palavras de ordem.

Na tarde deste sábado (29) manifestantes ocuparam três das principais avenidas de Cuiabá para protestar contra a gestão do atual presidente, Jair Bolsonaro (Sem partido). O ato reuniu um público expressivo, mesmo diante da ameaça de uma terceira onda da Covid-19 na capital mato-grossense. Entre as reivindicações apontadas pelos manifestantes duas eram unânimes: mais vacina e impeachment. 

A concentração do ato iniciou às 15h na Praça Alencastro, localizada no centro da capital. Enquanto aguardavam o início da caminhada, os manifestantes seguiam atentos às falas de lideranças políticas e sindicais, além de apresentações artísticas, como a da poeta, cantora e atriz, Pacha Ana. Ainda na concentração, a estudante Giovanna Campos, de 19 anos, se preparava para acompanhar o ato segurando seu cartaz. 

“O que me motiva estar aqui é a falta de vacina, são as mentiras disseminadas, as mortes, os parentes perdidos, os amigos internados, as pessoas que sofrem com a fome. E tudo isso enquanto o governo aumenta o salário dos militares e deixa de dar dinheiro para a população, que não tem condições de sobreviver com 150 reais”, afirma Giovanna ao citar a redução do Auxílio Emergencial. 

Durante todo o trajeto era possível encontrar manifestantes com cartazes pedindo o fim do governo Bolsonaro. | Foto: Com_Texto

Outra participante presente no ato contou que sair às ruas, mesmo diante da pandemia, é uma forma de gritar pela vida. “É uma questão de vida ou morte. Temos que sair e lutar. A pauta hoje é extensa, mas a primeira delas é a vida, ou a gente sai e luta, ou morreremos por esse vírus impulsionado pelo nosso presidente”, afirmou Fernanda Cândido, professora universitária de 43 anos. 

Antes do início da caminhada e durante o trajeto, membros de organizações políticas e sociais distribuíram máscaras PFF2, considerada mais eficaz na proteção individual, além de avisos sobre a importância do distanciamento. 

“Vim aqui por ele”

Enquanto as falas iniciais se encerravam e os manifestantes começavam a tomar a avenida Getúlio Vargas, início do trajeto pensado pelos idealizadores do ato, Adrieli Campos de Arruda, de 35 anos, caminhava lentamente segurando seu cartaz. Em letras vermelhas, a servidora pública carregava nas mãos os dizeres: “Orneci Presente! Benedito Presente”. De longe era possível avistar ainda um pequeno papel azul, com um rosto que ela conhecia bem. 

O papel seguiu com a manifestante durante todo o ato como uma forma de homenagem ao colega. | Foto: Com_Texto

“Doeu muito a perda dele. Na última reunião online que tivemos ele estava muito ansioso pois faltavam poucas semanas para ele ser vacinado. Fico com a voz dele na minha cabeça, quando nesta última reunião ele disse ‘gente, falta pouco para ser vacinado’, compartilhou a servidora ao lembrar do colega de trabalho que veio a óbito por conta da Covid-19. 

Conhecido como Orneci Franco da Silva, o servidor trabalhava na Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) e faleceu em decorrência da doença no dia 15 de maio. Com 44 anos de idade, o Técnico de Desenvolvimento Econômico Social passou 10 dias internado em um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu. 

Para Adieli, a tristeza da perda de um amigo motivou sua ida até a manifestação, para que nenhuma outra vida seja perdida. “Essa é a tristeza que bate mais e que me deu força para vir às ruas hoje. Toda vacina que não compraram a tempo faz diferença, está fazendo muita diferença, principalmente porque as pessoas estão morrendo”, finalizou. 

A servidora também reivindicou maior respeito ao trabalho de todos os funcionários públicos. | Foto: Com_Texto

O ato atravessou ainda as avenidas Marechal Deodoro, Isaac Póvoas e Historiador Rubens de Mendonça, até retornar para a Praça Alencastro. Em todo o trajeto era possível ouvir gritos como “Bolsonaro Genocida” e “Fora Bolsonaro” entoado por pessoas de diferentes idades. Até o momento não há uma estimativa oficial do número de participantes da manifestação. 

Em outras partes do país, manifestantes também foram para as ruas pedir o impeachment do presidente. Foram registrados atos nas 25 capitais do país, todos organizados  por movimentos dos trabalhadores, frentes sindicais e outras organizações políticas e sociais. 

Até a noite deste sábado, o Brasil já registrou 461.057 vítimas do coronavírus e 16.471.600 pessoas contaminadas. Em Mato Grosso, de acordo com o Boletim Epidemiológico publicado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), até o momento foram 10.877 vidas perdidas em decorrência do vírus e 405.350 pessoas contaminadas.