Faces e histórias de Mato Grosso se encontram nas páginas da revista laboratorial feita por estudantes da UFMT.

Para contar novas histórias e revelar um outro lado de importantes figuras regionais, estudantes de Comunicação Social e Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) lançaram nesta quinta-feira (7), duas novas edições da revista laboratorial Fuzuê. Com reportagens especiais sobre cultura e esporte, a revista foi disponibilizada em sua versão digital pela plataforma Issuu, que reúne várias outras revistas brasileiras e internacionais. Feita inteiramente por alunos, o trabalho se apresenta como uma opção de leitura de reportagens sobre Mato Grosso durante o período de quarentena.

Com acesso gratuito, o leitor pode se aventurar nas narrativas das Drag Queens cuiabanas e também no trabalho dos narradores do futebol amador de Várzea Grande. Outro ponto que chama atenção é a possibilidade de conhecer aspectos da cena musical protagonizada por mulheres.

Sophie, cantora entrevistada para a reportagem “Escuta as Mina”, de Isadora Dias e Amanda Caroga, durante uma de suas apresentações. | Foto: Dizão

Supervisionada pela professora doutora Tamires Coêlho, a revista é o resultado final de uma das disciplinas do curso de Jornalismo. Para a professora, a revista se conecta com uma Cuiabá que não se vê nas páginas dos jornais ou nas telas das televisões.

“Pensamos em trazer essas histórias que estão anônimas, para que as pessoas em Mato Grosso possam conhecer. Acho que a revista ajuda a refletir sobre uma Cuiabá que é mais rica, complexa e que passa por mais transformações do que o senso comum nos diz”, revela.

Responsável pela edição de arte de uma das edições, o aluno do sétimo semestre de Jornalismo Lucas Ribeiro conta que conseguiu experimentar técnicas que até então não tinha tido contato. “Uma coisa diferente de produzir essa revista é que o caráter experimental traz para gente uma liberdade de testar. Já tinha desenvolvido outros trabalhos impressos, mas uma revista ainda não tinha tido oportunidade”, conta o discente.

O caráter experimental ressaltado por Lucas não se reserva apenas à parte visual da revista, também está presente no processo de escolha das pautas, na apuração das histórias e até mesmo na forma de contar cada uma delas, pelo menos é o que diz Tamires. “A revista se converte em um mecanismo de crítica de mídia ao trazer conteúdos e perspectivas que geralmente o jornalismo factual não traz, então é uma forma também de mostrar um contraponto, de fazer uma crítica a partir de um bom jornalismo, um jornalismo bem feito, com tempo para apuração e cuidado na edição”, complementa a professora.

DIVERSIDADE NAS PÁGINAS DA REVISTA

Entre uma página e outra, o que não falta são traços da diversidade que compõem o território mato-grossense, nas expressões culturais e esportivas e na pluralidade de pessoas que aqui vivem.

Para o editor-chefe de uma das edições e aluno do sétimo semestre de Jornalismo, Marcos Salesse, apresentar as diversas faces do estado se mostra como um compromisso do projeto. “Acredito que seja necessário estampar a realidade diversa que compõe o nosso estado. Existe uma potência cultural e esportiva riquíssima, que muitas vezes acaba esquecida ou deixada de lado. Precisamos resgatar essa diversidade como uma característica fundamental da nossa região”, comenta.

Autor da reportagem Divas Cuiabanas, o aluno entrevistou artistas que construíram suas carreiras como Drags, desde o final dos anos 90, propondo uma viagem no tempo e o resgate de uma expressão artística que atravessou décadas. “Escrever sobre cultura Drag para uma revista que vai circular em um dos estados mais ‘LGBTfóbicos’ do país é também uma reivindicação política. É muito importante para mim como aluno ter esse espaço”, finaliza.

A drag Elza de Brasil foi escolhida como fio condutor da reportagem “Divas Cuiabanas” e participou de um ensaio fotográfico exclusivo para a revista. | Foto: Marcos Salesse

As questões de gênero também atravessam o trabalho de outros estudantes, como conta a editora de arte e aluna do quinto semestre de jornalismo Sarah Mendes. “Procuramos evidenciar mulheres que contribuem com a cultura e o esporte, não só de Cuiabá, como do estado. Na reportagem especial contamos a história de quatro mulheres que atuam na música aqui na capital. Além disso, muitos vão poder conhecer Elen Nunes e Sabrina Coelho, dupla feminina de vôlei de praia que, apesar de dificuldades, representam o estado em campeonatos de nível nacional”, explica.

Com projeção internacional, a revista possui outras cinco edições e se apresenta como vitrine do curso de Jornalismo da UFMT. “Acho que ela é uma vitrine do curso de jornalismo, e isso é bem interessante, pensar que mesmo sem uma tiragem grande e com um financiamento mínimo, é incrível ver como a gente pode contribuir com a cultura mato-grossense, com o cenário esportivo e jornalístico do estado a partir desta revista”, conclui a professora.

Para ler as duas novas edições, basta acessar a conta oficial da revista Fuzuê na plataforma Issuu, clicando aqui.