Encerrado o mês do Orgulho LGBTQIA+, o Com_Texto conversou com a presidente da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura, Bruna Irineu, sobre os caminhos possíveis diante de um cenário de ataques aos direitos básicos desta população. Vendo na vivacidade uma característica de luta, Bruna, que também é professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), acredita na possibilidade de criar processos de retomada dos espaços por diversos caminhos, como a política partidária, cultura, produção de conhecimento e outros. 

Liderando a diretoria da Abeh em 2020, a professora reafirmou a importância da Associação em propor pesquisas sobre o movimento. “A Abeh é uma Associação que tem uma história muito importante no Brasil, porque ela é a única que reúne pesquisadoras e pesquisadores LGBTQIA+ de todo o país”, conta. 

Fundada em 13 de junho de 2001, a associação completa duas décadas de existência no próximo ano, e tem registrada em sua história as produções de congressos anuais, atuação no extinto Conselho Nacional LGBT, além da organização de uma revista científica, que este ano chega em sua nona edição. 

Tendo na esfera acadêmica um dos seus principais pontos de atuação, a pesquisadora revela que uma das suas motivações dentro da academia é a defesa por uma universidade pública, laica e com condições financeiras para se popularizar. “Precisamos de uma universidade que consiga expressar o que a gente tem de mais diverso”, afirma. 

Questionada sobre qual deve ser a postura da população LGBTQIA+ diante de governos menos progressistas, Bruna defende a necessidade de articulações em diversos campos da sociedade como forma de defesa dos direitos e reivindicações das múltiplas existências.

“A vida e a sociedade estão em constante transformação, existe uma dialética, então hoje a gente está por baixo, mas amanhã a gente está por cima, é importante entender que direitos precisam ser defendidos a qualquer custo, é uma construção social, nada está garantido”, conclui. 

Assista o mais novo episódio do Fala Aí, e descubra mais um trecho inédito da entrevista. Para acompanhar, clique aqui.