O ato deste sábado (19) reuniu diferentes organizações políticas e população para uma segunda etapa dos protestos contra a liderança do país.

Novamente manifestantes foram às ruas em protesto contra o atual presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido). Neste sábado (19), o centro de Cuiabá recebeu cartazes, palavras de ordem e integrou  os mais de 409 pontos do Ato “Fora Bolsonaro – 19 de Junho” no país. Na capital mato-grossense, diversas frentes de luta se uniram para exigir “Vacina para todos, já”, relembrando as 500 mil mortes causadas pela pandemia do Covid-19.

Esse foi o segundo Ato convocado por frentes de luta em menos de 30 dias. Desta vez, o horário de concentração foi às 10h, na Praça Alencastro, localizada na Avenida Getúlio Vargas. De lá, o trajeto seguiu pela via com destino a Avenida Isaac Póvoas, passando pela Av. Marechal Deodoro e retornando ao ponto de encontro. 

Durante o protesto, a maioria dos manifestantes utilizou máscaras PFF2, consideradas as mais seguras. Além de contarem com a distribuição do material de proteção pela organização do Ato. O distanciamento social, contudo, foi a medida de segurança mais difícil de ser cumprida.

A concentração do Ato contou com apresentações artísticas, fala de lideranças políticas e palavras de ordem. | Foto: Com_Texto

A opção é ir para a rua 

Carregando uma bandeira pedindo vacina e acusando o Presidente Jair Bolsonaro de genocida, a assistente social, Elenilda Arruda explicou que para ela ir às ruas, mesmo com a insegurança sanitária da pandemia, é a única opção. 

“A gente só não está nas ruas há mais tempo porque as condições sanitárias não permitiram. E agora a gente está tendo que mensurar qual é o risco maior, ou a gente vai para rua derrubar esse governo ou esse governo acaba com tudo que a gente tem em termos de políticas públicas. A opção é ir para rua, a necessidade faz com que a gente esteja na rua para lutar contra esse desgoverno que se instaurou no país”, salientou a assistente.

Segundo ela, em pouco tempo de atuação, Bolsonaro vem eliminando as conquistas das lutas populares. “A gente tá vendo o que tá acontecendo com a saúde, previdência, educação e a política de assistência social. Todas as políticas hoje elas não tem nenhuma valorização por esse governo, são direitos que a gente lutou décadas para conquistar e estamos perdendo neste período de menos de três anos de governo. Só as lutas e movimentos sociais poderão derrubar esse governo”, completou a assistente social. 

O estudante também atua como militante no Levante Popular da Juventude. | Foto: Com_Texto

Com motivações parecidas, o estudante Júlio César Ezequiel também foi às ruas. Para ele não existe mais a possibilidade de não lutar contra o presidente e seu governo “Nos reunimos, enquanto estudantes, para expor esse governo que é contra a educação, contra o povo, contra a vacina, contra a alimentação do nosso povo. Esse governo vive retrocessos que matam a população, se mostrando mais perigoso que o vírus da pandemia, por isso está nas ruas é preciso, temos que lutar contra esse genocídio”, concluiu o estudante. 

Na contramão, interrompendo o trânsito

A caminhada em protesto percorreu pontos importantes da cidade, em horário comercial, o que provocou interrupções nos trânsitos e insatisfação por parte dos motoristas e de pessoas que não participavam do movimento. A guarda da Polícia Militar auxiliou a passagem de todo trajeto, com balizas e bloqueios nas vias. 

Logo no início, motociclistas, que esperavam a passagem dos manifestantes, gritavam contra o ato e em apoio ao presidente. “Bolsonaro até 2026”, diziam os condutores em meio a vaias e buzinas. Em outro ponto de bastante circulação,  Avenida Getúlio Vargas, outros motociclistas também vaiaram e tentaram furar o bloqueio feito para que a caminhada pudesse acontecer, avançando em direção aos manifestantes.

O clima tenso acompanhou todo o percurso e só foi contido com a chegada de viaturas da Polícia Militar. | Foto: Com_Texto

As pessoas que esperavam ônibus também se mostraram insatisfeitas com a realização do ato. Com o bloqueio das passagens e o atraso dos transportes públicos, quem aguardava a chegada dos ônibus mostrava-se revoltado com a presença das pessoas nas ruas. Todos aglomerados dentro da estação, esperando conduções atrasadas, depois de um dia de trabalho. 

Neste sábado, o Brasil alcançou a marca de 500 mil vítimas do coronavírus, contabilizando também 17,9 milhões de casos registrados. Em Mato Grosso, de acordo com o Boletim Epidemiológico publicado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), até o momento foram 11.608 vidas perdidas em decorrência do vírus e 437.844 pessoas contaminadas.