A voz potente de Seven Mônica já encantou diversos amantes da música. Seja em um bar, restaurante ou casa noturna, por onde a artista passa deixa seu rastro de domínio das emoções mais profundas que só a música é capaz de chegar.

Sempre cantando com a alma, Seven representa uma voz que vence cotidianamente a transfobia e carrega em cada pedaço de canção o amor pela música. Cantando desde os sete anos de idade, a artista conversou com o Com_Texto sobre sua história na arte e abriu o coração para revelar passagens emocionante da sua vida.

Leia agora a entrevista e conheça mais sobre Seven Mônica:

CT: Como começou sua trajetória na música?

SM: Eu comecei a cantar na verdade com sete anos de idade, por isso “Seven”. Comecei na escola cantando o hino nacional, e também cantava na igreja, uma igreja evangélica, isso desde criancinha.

Com o passar do tempo recebi o meu primeiro cachê, mas sem saber que iria receber mesmo. Na época o meu pai, que também era músico, me chamou e falou “Leandro..”, porque meu nome antes era Leandro, “…fulano vai se casar e ele queria que você cantasse algumas canções no casamento dele”.  Ensaiamos bastante, aí no dia fiz as músicas e no fim da apresentação meu pai chegou com um envelope e falou “abre”, na época não era real ainda, então abri e tinham duas notas acho que de vinte cruzeiros, que dá uns 100 reais hoje. Lembro que fiquei chocado e muito feliz, isso eu tinha uns 12 pra 13 anos de idade.

Profissionalmente foi só com 16 anos, que foi quando comecei a cantar em barzinhos, mas junto com meu pai.

CT: A sua carreira como cantora também perpassa o período de transição?

SM: Então, isso tudo é muito recente, acho que meu período de transição tem de três a quatro anos.

CT: E se identificar hoje como uma mulher trans afetou a sua carreira? Você sente que viu seu trabalho ser descredibilizado por isso?

SM: Muito. Quando comecei a cantar como “Leandro Seven” eu era apenas um “gayzinho cantando afinadinho”, então a sociedade mato-grossense não tinha tanto preconceito, porque para eles era isso, apenas um “gayzinho” discreto cantando.

E quando iniciei o meu processo de transição, comecei a me vestir diferente, mas ainda não como uma mulher, me maquiava muito discretamente, e ia me apresentar nos barzinhos que eu já me apresentava antes. Já depois da transição tiveram bares que não abriram mais as portas para eu cantar, algumas casas noturnas não queriam mais me responder no WhatsApp, não falavam comigo, tive essa discriminação pessoalmente e diretamente.

Só abrindo um parênteses que na época eu fui participar de um programa chamado “É bem Mato Grosso”, que tinha um concurso chamado “Novos Talentos”, nesse período do programa eu me apresentei como Leandro Seven, mas já estava transicionando para ser Seven Mônica.

Então neste período que me apresentei no programa, foi quando eu tive uma maior procura de pessoas me convidando para cantar em bares e restaurantes, nesta época então não tive tantos problemas porque as pessoas acabaram me vendo na mídia e me procurando. Então o preconceito foi diminuindo, mas só por conta disso.

Quando eu coloquei o meu primeiro vestido, que eu lembro até hoje, era um vestido salmão cheio de bolinha, e que eu assumi a minha identidade como Seven Mônica, aí fiquei muito feliz, foi aí que começou a minha luta para provar quem eu sou e a minha identidade para a sociedade.

CT: E quais são as suas principais influências musicais?

SM: Olha tenho vários estilos e gostos musicais, nacionais e internacionais. Nacionais são cantoras como Elis Regina, Fat Family, Alcione, Ed Motta, Djavan, um pouco do Caetano Veloso, Sandra de Sá, gosto muito da Black Music. Então sempre busco inserir estes artistas tanto na minha estrutura vocal, como no meu repertório musical.

E dos internacionais temos a diva da Whitney Houston, Mariah Carey, Michael Jackson, Stevie Wonder, Celine Dion, ou seja, um pouco de cada coisa.

Lembro que o primeiro CD que tive contato veio em uma revista Veja e meu avô, que me criou na época, não suportava ouvir as músicas que eu gostava. Aí veio um CD do Luciano Pavarotti e na época eu não tinha vibrato, que é aquela ondulação na voz, então comecei a ouvir o CD sempre, e um dia esse meu avô ficou com tanta raiva e quebrou o CD. No dia que ele quebrou eu aprendi a fazer o vibrato e comecei a colocar esta técnica nas músicas de outros artistas. Ouvia músicas da Whitney e imitava as firulas, vibratos e nossa foi uma emoção total. Então meu estilo vem destes artistas nacionais e internacionais.

CT: E existe algum ritmo ou alguma música que você goste muito de cantar? Algo que você sempre coloca no seu repertório?

SM: Sim, a música que eu mais amo é aquela do filme “O Guarda-Costas”, que é ‘I Will Always Love You’, da Whitney. Não sei cantar inglês perfeitamente, mas estudo para chegar o mais próximo.

CT: E o que a música significa para você hoje?

SM: A música significa o meu batimento cardíaco, ela significa hoje o limite de tudo o que eu possa ser na minha vida. Procuro viver da música intensamente. Meu sonho é ouvir duas composições que fiz em uma trilha sonora de um filme ou novela. São duas músicas que escrevi, uma chama-se ‘Amor Puro’ e a outra ‘Quanto Valeu o Meu Amor?’.

CT: E você sente que a música tem o poder de tocar alguém profundamente? A sua música pode atingir os sentimentos mais profundos?

SM: Eu canto com a alma, não sei se você já reparou, mas todas as vezes que canto uma música fecho os olhos e busco sentir o que aquela música pode passar, tanto para mim quanto para os meus fãs que estão ouvindo. Pode ser uma música agitada ou lenta, é sempre a história da música que me comove por dentro.

Então todas as vezes que você me ouvir cantar eu vou estar literalmente conectada com a minha alma, trazendo o que é do interior para o exterior. Você sempre vai me ver expressar tudo isso na minha voz.

Teve uma vez que eu estava cantando uma determinada música, que não me recordo o nome agora, e tinha uma senhora sentada com uma colega dela na minha frente. Quando iniciei a música a senhora começou a chorar muito sabe, depois que terminei de cantar cheguei nela e falei assim ‘por que a senhora está chorando?’ e ela me respondeu ‘porque essa música eu acabei de ouvir no leito de dor da minha filha que acabou de falecer’, aquela era uma música que a filha dela gostava muito e morreu ouvindo a música. Então a música tem o poder de transformar vidas e fazer o impossível se tornar possível. 

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